Arquivos Mensais:janeiro 2012
Eu queria mesmo é uma borracha! Ou mesmo um relógio pra voltar no tempo…
Não… queria mesmo a borracha pra apagar aquilo que não devia permanecer nem no passado, porque o passado nunca é algo morto e enterrado como o dizem. O passado é sempre remoído, o passado vem sempre assombrar. O passado é um fantasma obstinado.
Mas a verdade verdadeira é que a gente é muito idiota e hipócrita e infantil, porque não sabe lidar com erros, porque a gente nunca sabe parar de errar, e gente não sabe consertar as coisas… Por isso fica lamentando os fantasmas. Não… a gente não é idiota. Eu sou idiota… viu? Até me falta coragem pra proclamar: eu errei!
Eu aprendo com meus erros, contudo não deixo de errar. E aí? Como fica? Como cessar esse ciclo?
Quando vejo que não tem saída, corro para abraçar o cobertor, tal qual faz uma criancinha, e fico desejando a tal borracha.
Apagar-me, diluir-me, desmanchar-me
De Paulo Leminski
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Quarto escuro
Estranho é ter medo de escuro
quando a solidão não assusta,
porque a escuridão é ausência.
Vazio-
Temor este que se faz sentir.
Sente-se a incerteza,
a impevisibilidade de
uma luz qualquer
se ascender e
mostrar coisas
inesperadas,
jamais vistas.