Convento

A fé levou

Os ares juvenis,

Escondeu-lhe

O volume dos quadris,

E os fios de cabelo

Não desafiavam o hábito,

Mas a fantasia

Nem água benta expurgara-

Sonhava com o dia

Em que bradaria

“Não tenho vocação”

E se contentava

Com o sonho irrealizado,

Pois que sua imaginação

Era égua ibera,

Concebia com vento.

Anúncios

Só pra me lembrar que a praça existiu, só pra me lembrar que você existiu

Em algum lugar

Da sua memória

Havia aquela praça

Que você achou não

Existir de verdade.

Foi sonho?

Delírio?

Não.

Lá estava ela

Depois de tanto

Procurarmos.

Lá estava ela

Com o mato crescido,

Banco tomado por musgo,

Iluminação que não funcionava.

Acho que também fora

Esquecida pelos moradores,

Porque ali,

Recôndita,

Tinha cores

Cerebrais,

Cores de resíduos

Do hipocampo,

Resíduos arquivados

No esquecimento.